O que é abordagem Dialética da Educação?

Abordagem Dialética da Educação 

Quando nos deparamos sobre abordagem de ensino precisamos fazer algumas preguntas. Vamos a elas;

1. Algumas perguntas

a) O que fazer? Uma das questões e desafios do professor é "propiciar às novas gerações uma
compreensão científica, filosófica, estética, da realidade em que vivem. Ou seja, a construção do
conhecimento". Os alunos precisam elaborar o conhecimento, não simplesmente transmitir.
b) O que se deseja? É a maneira que o professor entende o seu papel social. Devemos, antes,
falar do conhecimento, que é a formação do educando em sua totalidade, abordando aspectos da
Consciência, do Caráter e da Cidadania. O conhecimento na teoria dialética não tem um fim em si
mesmo, ele se justifica quando pode contribuir para compreender, usufruir e transformar a realidade.
O conhecimento do sujeito, portanto, não é aquele que apenas satisfaz a curiosidade do estudante e
não muda nada no seu cotidiano, mas é aquele que busca transformar a sua realidade.
"O conhecimento tem que ser tal que o sujeito se transforme, e com isso seja capaz de transformar
a realidade". Como Gramsci diria, é preciso formar novos mestres, e não novos discípulos.
Critérios para o conhecimento escolar: o conhecimento deve buscar os seguintes critérios:
1) significativo (que seja relevante ao estudante); 2) Crítico (a não conformação); 3) Criativo
( que possa ser transferido) e 4) Duradouro (incorporar como visão de mundo).
Concepção de currículo - programa x prática social: É preciso encarar o conhecimento
articulado em como ele pode modificar a compreensão da realidade. O objetivo do professor não é
dar um programa, dar o conteúdo, "seu papel primeiro não é cumprir um programa, não é dar
determinado rol de conteúdos: antes de mais nada, seu papel é ajudar os alunos a entenderem a
realidade em que se encontram, tendo como mediação para isso os conteúdos." É preciso usar a
"cultura acumulada" a favor de fazer os estudantes entenderem a realidade, e não deve-se
"automatizar a pedagogia em relação à sociedade".
c) Deslocamento do eixo de preocupação: Ou seja, a prática pedagógica deve ser em prol de
um conhecimento mais "significativo, concreto, transformador e duradouro". Não se deve fazer a
pergunta "como ensinar?", mas sim, "como o aluno aprende?".
2 - Fundamentos Epistemológicos
Essa questão é a do conhecimento, que se pergunta "como conhecemos algo?". É uma relação
entre sujeito e objeto. Ou seja, segundo H. Wallon, em seu livro as origens do pensamento na
criança, "Não há nem identidade preestabelecida, nem redução total de um a outro, nem
exterioridade radical, mas uma série de ações e reações que mostram o esforço da ideia para
envolver ou modificar a coisa e a resistência da coisa, que obriga a própria ideia a se modificar.
Esse duelo prossegue em todos os níveis, quer da ação prática, quer da doutrina de experimentação
científica. Sme esses conflitos, haveria uma estagnação do conhecimento. É através deles que
suas estruturas a princípio elementares, tornam-se mais precisas e organizam-se em sistemas cujo
plano vai de complicações em simplificações, de modo a aprender do real, tanto o detalhes exato
quanto conjuntos cada vez mais amplos". Mas, ele também acrescenta que, não existe ato puro do
conhecimento, ele é modificado pela nossa realidade.

2.1. Concepção de Conhecimento na Situação Pedagógica

Saviani, em Escola e democracia, diz que existem dois níveis de conhecimento, o do
professor e do aluno, "enquanto o professor tem uma compreensão que poderíamos chamar de
'síntese precária', a compreensão dos alunos é de caráter sincrético". Com base nessa nova
epistemologia, temos algumas dicas de práticas sociais que devem ser introduzidas no ambiente de
trabalho do professor:
a) Busca de Relações: a realidade possui um sentido, e a prática educativa deve levar isso em
consideração. Restabelecer esse sentido e o porquê das coisas.
A realidade não se dá a conhecer diretamente: o conhecimento não é fácil de ser adquirido,
não conseguimos apreender o simplesmente por olharmos para a sociedade. É preciso ter os
instrumentos corretos e ter o método correto. Antes de buscar conhecer as coisas, é preciso saber
as leis de sua estruturação e de seu desenvolvimento. Um exemplo clássico é aquele professor que
sabe demais, mas não possui didática, ou seja "o sujeito se apropria da lógica interna do discurso de
determinada área do conhecimento e utiliza esse discurso de forma correta, respeitando essa lógica
e seus conceitos chave, mas não sendo capaz de sair dele, de fazer uma leitura da realidade, de
"captar o movimento do real", justamente porque não apreendeu seus determinantes fundamentais".
b) Conceituação de conhecimento: conhecimento é representação mental das relações,
é estabelecer significado entre os conceitos. Na nossa concepção, busca-se chegar a síntese
dessas relações. O conhecimento é ao mesmo tempo uma acumulação, mas também um domínio
dos modos de operar com ele. A relações novas se somam as já conquistadas. O entendimento do
objeto pelo estudante tem que ser de tal forma que ele entenda todas as relações desse objeto.
Esse conhecimento é concreto, numa realidade concreta.

2.2. Construção do Conhecimento no Sujeito

Apresentamos de maneira geral algumas das contribuições dessas teorias:
a) Para construir um conhecimento novo, é preciso ter representações prévias em relação ao objeto,
e articulá-las com as novas e a realidade;
b) é preciso ter condições para que o estudante possa apreender o conhecimento, ele precisa querer
conhecer, ter a curiosidade, além disso, ele precisa de redes de outros conhecimentos já
estabelecidos;
c) Não existe conhecimento novo, deformamos o objeto à medida que temos novas relações perante
a realidade;
D) O estudante precisa se expressar, por a linguagem verbal possibilita a organização das relações
mentais;
e) O conhecimento se dá perante a ação do sujeito sobre o objeto;
f) A ação pode ser motora, perceptiva ou reflexiva;
g) A ação precisa ser necessariamente voluntária e intencional;
h) O conhecimento passa pelas etapas 1) empírica, 2) abstrata e 3) concreta
i) É preciso analisar o objeto, ter conhecimento do todo e das partes ao mesmo tempo;
j) conhecer não é mera repetição, é preciso entrar na gênese e no desenvolvimento;
k) o conhecimento não é linear, mas ele se dá por aproximações sucessivas;
l) diante da problematização, o sujeito elabora hipóteses;
m) o estabelecimento da contradição possibilita a elevação à relações mais complexas do
conhecimento.

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